-->

11.11.09

do génio







6.11.09

Festival de Teatro da Covilhã

3.11.09

Jesper Just

03_JJ_RoomofOwn_2_2008
Exposição de abertura do festival Temps d’Images e primeira exposição individual, em Portugal, de Jesper Just, artista dinamarquês, mais conhecido pelos seus trabalhos em vídeo.
Diz que é a não perder. No CAM da Gulbenkian até 17 Janeiro de 2010.

1.11.09

Femina

31 Outubro - Tiger Man 1 



Numa rua, à entrada das traseiras do Tempo.
Luís -   Muita merda. 
Paulo - Obrigado.
              gesto
             Não se deve agradecer.
Luís -   Pois não.

Tempo depois, Luís sobe a mesma rua.
Luís -   Grande 
concerto
Paulo - sorri  Obrigado.
Luís -   v
isivelmente satisfeito  Muito bom.
Paulo -
sorri. 

31.10.09

Happy Halloween



Bruce La Bruce Blog

30.10.09

Uma actriz de que não me esqueço

margarida gonçalves 

Margarida Gonçalves  Narcisa

29.10.09

Congresso: a assembleia dos momentos frágeis


O teatro é um espaço de decisões, a grande metáfora da decisão. É um espaço paradoxal, destituído de qualquer esperança. É o presente. Por Hugo Calhim Cristóvão


Só faz sentido a questão dos antecedentes teóricos do actual trabalho do actor se colocada no sentido de um reviver da tradição, e do seu espírito. Nesse aspecto o teatro é como o esoterismo: o que sobra é incompreensível para um olhar leigo, para o olhar que não pressente já o que procurar. A verdadeira transmissão é feita oralmente, ou por contaminação, e mesmo essa implica à partida estar disposto a capturar no ar o que merece ser capturado.
Em todas as transmissões o primeiro elemento é a paixão, o fogo, a curiosidade insaciável. Sem esse elemento os teóricos são um carvão negro que não dará calor ou luz. E o actor perde-se numa complexa teia de ilusões, que bem ou mal tecidas, jamais conduzirão ao desbravar do que está vivo. Perde-se em autópsias.
No teatro, paradoxalmente, a forma de abrir o véu começa por acreditar no eterno retorno, no tempo mítico, numa eterna reminiscência das coisas, aqui e agora.
O actor sofre processos de transmutação, segundo modelos arcaicos, em que qualquer contemporaneidade não passa o mais das vezes de uma roupagem externa. Movemo-nos sempre dentro da história, e fora da história, ao mesmo tempo, pesquisando a possibilidade de uma constante primeira vez, de uma constante frescura.
Diz-se que o teatro é uma arte, fala-se em emoções estéticas, abrimos mão de termos cujo fito não é mais do que propagar o lugar comum. O teatro não será uma estética, antes uma ética. Uma ética de metamorfose que combina o lúdico e o sagrado, o temporal e o atemporal.
Devemos escolher bem cedo se o que fazemos é ficção ou realidade. A ficção não assume, no fundo, um carácter de necessidade. Trata-se apenas de um luxo. O que é um luxo descai sempre para segundo plano quando a vida se torna perigosa, inclemente. Há sempre quem se apegue aos seus pequenos luxos em todas as circunstâncias.
Quando vem a tragédia há sempre quem queira fugir ou ignorar, quem em desespero se refugie em pequenas idiossincrasias estéticas, aquelas que nos reforçam as crenças de sermos quem achamos ser. Esse esteticismo desliza para padrões, normas e morais, preceitos ciclicamente renováveis. Quando se fala em vanguarda, fala-se quase sempre no desejo de descobrirmos o nosso luxo particular. Propagandeá-lo é vendermo-nos. Absurdos marcados pelo tédio.
Aqui devemos manter o pé ligeiramente fora da história do discurso. Ética implica decisão, e o teatro é um espaço de decisões, a grande metáfora da decisão. É um espaço paradoxal, destituído de qualquer esperança. É o presente.
Cada vez que nos entranhamos pelos subterrâneos da actividade teatral damos de caras com uma reminiscência antiga, a que sem pudores e pruridos eu apelidaria de mágica.
Falamos então de ficção ou falamos de realidade? Falamos de um universo escapista de sonhos sonhados em ilusão, num pequeno mundo perfeito e controlável, embora raramente, ou falamos de realidade, de uma porta que subitamente se abre? Abrimo-la? Fechamo-la? Damos pequenas espreitadelas medrosas e, com pomposas linguagens, elucidamos falsamente a manada?
Grande parte de nós limita-se, no máximo, a postar-se a essa porta de armadura, cadeira de veludo e óculos de sol, de costas voltadas para ela, com um rito de exuberância e seriedade a afastar o temor. Do lado de cá dessa porta sempre há o público, os outros, e os espelhos. Do outro lado, solidão e assombro.
Como todas as grandes analogias, esta é uma analogia de morte. Do desconhecido e do fim. Desperdiça-se a vida quando não se enfrenta de perto essa morte do actor. O actor não é mais do que um ser humano com absoluta fome de experiência, determinado a usar-se na procura de um conhecimento outro. Alguém que se testa sob o signo da oposição e do confronto. Do desafio.
Claro que há quem o ignore, quem recuse, quem não se transgrida. Existem sempre os arautos paradigmáticos da restrição e do comedimento, do correcto bem falar da modernidade, das razões segundas. De tudo o que diverte da necessidade de decidir aqui e agora, da partida.
A generosidade e a intensidade da paixão sob uma ética de metamorfose, sob o constrangimento feroz do presente e da acção, sob a repetição exaustiva e renovada, são o principio e o fim da técnica do actor. Nada mais do que isso, e nada menos do que isso, é necessário para começar.
Quem não o entende, não percebe nada. Que se afaste, diria eu cheio de expectativa.
Nada há senão estratégias, e passo a descrever uma, a criação de uma assembleia interior a que chamarei o “Congresso”. Trata-se de listar todos os nomes que na história do teatro, e da dança alguns, nos parecem relevantes e úteis. Eu daria uma ênfase particular aos práticos. Uma lista que deverá conter no máximo 25 nomes, por razões funcionais.
Durante uma semana estes nomes serão repetidos internamente, duas vezes por dia uma hora de cada vez, em posição de meditação numa cadeira, corpo muito ligeiramente inclinado para frente (uma eterna pulsação para se levantar que nunca chega a concretizar-se) coluna vertebral alinhada num eixo vertical imaginário terra céu. Olhos fechados, mas se abertos focados num ponto a 45 graus para cima, imóveis. A repetição interna do nome, proponho 48 vezes cada um, deve acompanhar ou o ciclo da inspiração - expiração, ou uma sílaba por batida do coração. Não deve existir nenhuma tentativa de produção de imagens ou de visualização, apenas a tediosa repetição do nome, como um chamamento inaudível.
Um pequeno diário deve ser criado para registar dificuldades e acontecimentos. Convém que o praticante possua os livros chave de cada um dos nomes envolvidos e ocasionalmente olhe para esses livros folheando desinteressadamente as páginas. Que os atire ao ar e tente equilibrá-los a todos numa só mão, ou em cima da cabeça. Queimá-los, algumas páginas de cada vez é também uma opção válida. Ao fim de uma semana, todos esses livros, que se supõe já anteriormente lidos, devem ser deitados fora ou oferecidos. Para os mais tímidos emprestá-los é uma hipótese alternativa, de preferência a quem não perceba nada de teatro. Recomendo emprestá-los a produtores, autores dramáticos na moda, cenógrafos, sonoplastas, encenadores inaptos, literatos e afins.
Na segunda semana, deve-se exercer um esforço constante de visualização, apoiado em fotografias ou outros materiais, durante a repetição ou chamamento. O ponto de concentração, plagiando neste termo Viola Spolin, é forçoso que seja a manutenção de uma imagem na mente, correspondente ao nome. Não exactamente uma imagem fiel, dado isso não existir. Mantém-se o pequeno diário.
Com os seus conhecidos, o actor praticante deve subtilmente ir encarnando dentro de si as vozes que por esta altura já o devem incomodar, guardando segredo dos processos que explora, imaginando que a sua boca, ao falar, se situa ou no umbigo ou nos órgãos sexuais. Caso fale com encenadores, faça-se munir de uma cruz, de alho, de um martelo, e de inteligência superior, o tipo de inteligência superior que só é permeável a manifestações simples de sinceridade. Entretanto, e ao mesmo tempo, seja o mais frágil que puder.
Na terceira semana assimile na imaginação, em simbiose, o seu próprio corpo físico ao corpo do homem ou da mulher que possuíram o nome, enquanto o repete, a repetição sempre exaustivamente constante, olhos agora preferencialmente sempre fechados. Não foi dito até agora mas um dos nomes deve ser o seu, na ordem que desejar, embora eu recomende que seja impreterivelmente ou no princípio ou no fim da lista. Prepare-se com humildade para a experiência curiosa de assimilar na imaginação o seu corpo com o seu corpo. Mantém-se o pequeno diário.
Na quarta semana, abra os olhos, e veja à sua frente, sentado numa cadeira em tudo igual à sua, em posição corporal em tudo igual à sua, olhando para si nos olhos, o possuidor do nome que repete e do corpo que assimila. Para a sua sanidade mental aconselho a que crie por esta altura um gesto ou uma acção que, independentemente do trabalho específico no Congresso, marque para si o princípio e o fim da sessão, de forma inapelável. Isto fica ao seu critério. Estude nas tradições teatrais e não só, as formas estereotipadas de começar e acabar, e decida. Se não o fizer, perderá o controle. Estude com amor e atenção a biografia de, por exemplo, Artaud. De um modo ou de outro, prepare-se para sofrer.
Caso se sinta a perder o controle, não cometa jamais o erro de se achar forte ou racional. O inconsciente é antigo e goza com as nossas idiossincrasias de poder. É preferível fazer amor com o diabo do que ser violado/a por ele. Caso, mesmo assim, encontre prazer na ideia de ser violentamente possuído ou possuída pelo sonho, caso esteja tão preso ou presa numa teia de racionalidade para ser essa a sua única saída honrada, deixe-se violar sem pudores. Ostente as suas feridas como quem ostenta um precioso prémio e procure o seu consolo no vício de rir ruidosamente. Mantenha sempre o pequeno diário como uma subtil concessão à continuidade do tempo e da sua ilusão construída, a identidade.
Passou-se um mês. Comece a incluir no diário, se não o fez antes, descrições de quaisquer acções físicas que o sonho lhe revele, bem como observações de movimento, e apenas de movimento, que no seu dia se revelem como não comuns. Não force a memória do supostamente extraordinário, force antes a lembrança daquilo que para si é estranhamente comovente, para lá de qualquer sentido ideológico ou meramente social. Explore a observação tanto daquilo que lhe é repugnante como daquilo que lhe agrada.
Na quinta semana, inclua uma pequena variação, que podemos denominar de fole. Pense no ferreiro que com o seu fole aumenta ou diminui a intensidade do fogo. Com a expiração abra os olhos, com a inspiração feche-os. Ao contrário do que é vulgar achar-se é na inspiração que o corpo se abandona. Com a expiração faça sair de si o corpo do nome que repete, e que está assimilado ao seu, para a sua frente olhando para si nos olhos, com a inspiração e os olhos fechados volte a incorporá-lo em si, cultivando a sensação que à sua frente, por detrás dos seus olhos fechados, se encontra você mesmo olhando para si, olhando para você e vendo o corpo do indivíduo cujo nome você repete. Seja claro na formulação deste desejo de ida e volta. Mantenha acima de tudo a concentração e a repetição exaustiva.
Neste ponto, antes de avançar para as sexta, sétima e oitava semanas, gostaria de divagar para uns assuntos alheios e relatar aleatoriamente alguns pontos que por si podem ter muito pouco em comum, tanto com este texto como entre si. Vou deixar correr um pouco o meu espírito. Não. De modo algum. Não há nada a relatar. Continuemos sem fait-divers. Sujemo-nos mais um pouco porque não há nada pior do que a obsessão pela limpeza, a sabedoria é suor, tem odores intensos que se propagam pelo ar como as feromonas de insectos no cio. Começo a ter uma irreprimível vontade de continuar este texto em vernáculo, mas resisto. É preciso manter um certo decoro, pontuado por expirações excessivamente sonoras.
Portanto, ia iniciar a descrição da sexta semana, em que algo muda. Pegue nos nomes da sua lista, um a um, e submeta-os ao seguinte processo cortante e recombinatório, exemplificado num nome ao acaso que esperemos que não faça parte da sua listagem, metódica e consciente: Florindo Ladislau Hermenegildo. Censure as letras que se repetem e temos florindasuhermeg. Recombine de modo a criar aquilo que em certos meios se chama um nome bárbaro de evocação e temos, entre múltiplas hipóteses, Sermeg Roin Dafluh. Para Konstantin Stanislavsky isto dá konstailvy e Vkonta Syvil. Vkonta Syvil portanto ficará. E não, não se preocupe com a minha saúde mental, preocupe-se antes e deveras com a sua saúde social.
Depois de ter assim escalpelizado cada um dos seus nomes, decore o resultado com o fervor de uma criança a papaguear ritmicamente a tabuada e serão essas, essas palavras prenhes de sonoridade e vazias de significação imediata que repetirá internamente para si próprio. Faça-o com os olhos abertos e vendo com a sua imaginação você mesmo à sua frente, de preferência nu, ou nua. E escrutine-se. Assuma completamente na visualização o corpo imaginário das entidades que antes tinham um nome reconhecível, como sendo a parte de si que a si se olha e escrutina. Faça-se impiedosamente passar pelo crivo dessa visão que não sendo originalmente a sua agora também já o deverá ser. Atravesse o abismo que permite à imaginação metamorfosear-se em presença. Não se esqueça de tudo apontar no pequeno diário e, principalmente, abra e encerre a sessão com um gesto definido em que possa crer.
Divirta-se, junto dos seus amigos e se assim o desejar, a discorrer demoradamente, com o máximo da seriedade e empenho berrado, acerca das geniais teorias do máximo expoente do teatro aborígene australiano por si recentemente descoberto, Sermeg Roin Dafluh, companheiro inseparável do grande director teatral da Mongólia, o perspicaz Vkonta Syvil.
Mas nunca se denuncie.
Nunca, nunca, mas nunca de nunca, se denuncie. Aconselho-lhe isto com um murmúrio, com um suave sussurro. Depende deste factor essencial a correcta germinação do segredo em si, segredo esse que é demasiado real mau grado o cariz humorístico que a mim me caiba neste momento demonstrar. Limito-me a piscar-lhe o olho com a cumplicidade do afecto, para que não nos tornemos ambos excessivamente pesados.
Na sétima semana una numa única frase todos os novos nomes por si forjados, não os repetindo agora um a um mas espraiando-os numa longa frase rudemente similar a uma encantação. Exponha esta frase internamente ao mundo com os olhos sempre cerrados durante a hora de trabalho. Preste, se já se esqueceu deste pormenor, especial atenção ao alinhamento da sua coluna vertebral. Cultive a certeza sensorial de que todo o espaço em redor de si está povoado da presença dos seres sobre os quais trabalha. Cultive fortemente a impressão de que, caso abrisse os olhos, os veria fisicamente manifestados à sua frente e atrás de si, aos seus lados, acima e embaixo. Mas não abra os olhos. Seja nisto ingénuo/a como uma criança que fecha os olhos na expectativa de ver o mundo desaparecer.
Na oitava semana, e porque tudo deve terminar numa certa altura, nada faça a não ser, após os preparativos iniciais, deitar-se no chão na posição da estrela, rosto para o tecto com os braços e as pernas abertos e estendidos ocupando a maior porção de espaço que for capaz. Regresse cada vez mais à percepção física do coração e da respiração e deixe-se vaguear, deixe-se sonhar. Deve procurar o padrão respiratório associado ao sono profundo, mas não se deve deixar adormecer. Seja passivamente preciso/a. Durante esta semana leia várias vezes o seu diário mas não escreva mais nada, ou comece um novo. Queime, ofereça, ou esqueça o anterior. Enterrá-lo é, desde tempos imensamente recuados, uma opção aceitável, e frutuosa. Se quiser, e se não os tiver destruído, que é a mais aconselhável das opções, recupere de volta os seus livros.
Neste seu primeiro esboço forçosamente grosso o Congresso terminou. As variações e os pequenos pormenores decisivos são inúmeros e devem ser individualmente supridos, neste caso particular deste texto, e do seu contexto. Grande parte deles e da sua natureza devem já ser por si ligeiramente entrevistos.
Caso isso não aconteça ocupe então o tempo precioso que lhe resta a dedicar-se a uma actividade perfeitamente inútil. Faça “teatro”. Faça muito “teatro”. Faça cada vez mais e mais e mais e mais e mais “teatro”. Imite o brutal mugido de um touro bravo e vá dar de cornos contra a porta gritando veementes olés pontuados com dores de fuça. Quem sabe se um dia a sua cabeça abrirá.

25.10.09

Supplica a mi madre




È difficile dire con parole di figlio 
ciò a cui nel cuore ben poco assomiglio. 

Tu sei la sola al mondo che sa, del mio cuore, 
ciò che è stato sempre, prima d'ogni altro amore. 
Per questo devo dirti ciò ch'è orrendo conoscere: 
è dentro la tua grazia che nasce la mia angoscia. 
Sei insostituibile. Per questo è dannata 
alla solitudine la vita che mi hai data. 
E non voglio esser solo. Ho un'infinita fame 
d'amore, dell'amore di corpi senza anima. 
Perché l'anima è in te, ma tu 
sei mia madre e il tuo amore è la mia schiavitù:
ho passato l'infanzia schiavo di questo senso 
alto, irrimediabile, di un impegno immenso. 
Era l'unico modo per sentire la vita, 
l'unica tinta, l'unica forma: ora è finita. 
Sopravviviamo: ed è la confusione 
di una vita rinata fuori dalla ragione. 
Ti supplico, ah, ti supplico: non voler morire. 
Sono qui, solo, con te, in un futuro aprile... 

Pasolini

23.10.09

Errata

No post anterior, onde se lê: "He sings!", deve ler-se: "O álbum do ano!"

21.10.09

He sings!

deadmansbones452

Dead Man's Bones, My body is zombie for you

Dead Man's Bones, For weddings and funerals

A Sabedoria

andre-sousa-projects.blogspot
André Sousa

Art is

ARTisPERMANENT1

What is an artist?

What is an artist*?
Is an artist “a crafts person”?
Is an artist “a person (or thing) who creates a work of art”?
Is an artist “anybody who chooses to make art”?
Is an artist “just someone, whichever one”?
Is an artist “a clever person who makes marks and dots”?
Is an artist “someone who paints pictures out of bits and bobs”?
Is an artist “a person that tries to paint pictures of weird things and who is also a musician”?
Is an artist “either a person who makes pictures (the good ones are usually french); a person who sits
around painting naked models; a person who draws; or a person who makes musical stuff for an album”?
Is an artist “someone who’s a cultural dj”?
Is an artist “an empty signifier”?
Is an artist “a person who does something really random and calls it art”?
Is an artist “an entertainer”?
Is an artist “a petit commodity producer”?
Is an artist “a creative talent that expresses capacity through different activities like painting, cinema, photography, sculpture, etc”?
Is an artist “someone technique skilled”?
Is an artist “someone who through images or feelings (preferably pleasant ones) call peoples’ attention”?
Is an artist “someone who produces images (or objects) aesthetically pleasing”?
Is an artist “someone who does something”?
Is an artist “someone who intervenes in the world with strategies which might be material or immaterial, to
re-negotiate perception and processing of experience (being these strategies undertaken with the intentionality of it being art)”?
Is an artist “a regenerator”?
Is an artist “someone who is authorized”?
Is an artist “a representative of institutional interests”?
Is an artist “a contextualized someone”?
Is an artist “someone who creates simply in order to prolong his/her existence”?
Is an artist “someone whose goal is to deliver sensibility to the world”?
Is an artist “someone who is not only creative but someone who manages to draw a line between time and history”?
Is an artist “someone able to do something different from the others (as long as contextualized within a space and time)”?
Is an artist “someone who can show the others how different the world can be”?
Is an artist “someone who produces something that makes you think and look differently”?
Is an artist “someone capable of turning everything into something original”?
Is an artist “someone who sees what others don’t”?
Is an artist a visionary or a magician (or even both)?
Is an artist “someone with talent”?
Is an artist “someone who have his/her own freedom”?
Is an artist “a hero”?
Is an artist “a genius”?
Is an artist “someone with soul”?
Is an artist “a state of being concerned with faith and thus very close to religious life”?
Is an artist “a fucker”?
Is an artist “someone who creates because of the need of self-express”?
Is an artist “someone obsessed by self-satisfaction”?
Is an artist “a fighter who can do anything to feed his/her addiction (addicted to find something that he/she don’t even know what it is)”?
Is an artist “a persons infected with a chronicle illness (art)”?
Is an artist “someone that on top of everything loves what he/she does”?
Is an artist an “a disorientated lover”?
Is an artist “someone with a frustrated ego”?
Is an artist “someone who is an opportunist, liar, utopianist, elitist, optimist, pacifist, liberal, conservative, perfectionist”?
Is an artist “someone who is (i) involved in thinking about/making art work and is (ii) intelligent and foolish in equal measure”?
Is an artist “someone who tries to understand and makes sense of the universe, using all the available
means, creative or innovative ones, but most of all those which convey the contents of his/her idea”?
Is an artist “someone skilled in expressing knowledge and life experience through art”?
Is an artist “someone who first and foremost have to have a fine art academic education”?
Is an artist “a confident character that can at least speak english (an International language), has manners
at the table (someone who knows how to use a knife and a fork), and therefore able to close interesting deals”?
Is an artist “an entrepreneur”?
Is an artist “ a person that creates value”?
Is an artist “someone with a liberal profession that uses art as a working tool”?
Is an artist “someone who can sell work and live by that income”?
Is an artist “someone with more than one body”?
Is an artist “a dichotomous being: on the one hand traditionally being on the margins of culture (whatever that is) or society (through which critique can occur), and on the other hand producing a socially and culturally recognizable form... i.e. art. Therefore an artist is a contradiction of self-alienation and the wish for acceptance”?
Is an artist “an artist”?

by Joana Bastos, 2008 – ongoing

*This paper follows a performative methodology: Q&Q. Suggesting that an answer is implicit in a question, assuming that a question instigates another question.
The importance of this exercise is to give oneself an active response towards the dilemma, by both acquiring knowledge and thus fundament the dilemma or by sorting out one self’s definition. The concern is not what an artist is or what art may be but rather questions relating the social responsibilities (if there are any?) as cause of the dilemma.
The question “What is an artist?” was made to a broad range of individuals: art related specialist, art students (Foundation, BA, MA and PhD), artists, curators, economists, psychologists, philosophers, children, etc. The intention of this research question was ‘what’ was answered and not ‘who’ answered it.

11.10.09

pause

foto roubada ao sítio peludo

6.10.09

Quem mexe na porcaria nem sempre se suja

Photobucket


É curiosa a predilecção de Madonna por personagens algo invulgares em Filth and Wisdom. No entanto, para quem se transforma e reinventa constantemente há tantos anos, não seria de esperar um leque de personagens um pouco mais rico, senão vasto?

1.10.09

regresso aos destroços

persona-443

(Um silêncio muito longo.)

Mas tu tens amigos.

(Um longo silêncio.)

Tens muitos amigos.

O que é que tu dás aos teus amigos para eles te apoiarem tanto?

(Um longo silêncio.)

O que é que tu dás aos teus amigos para eles te apoiarem tanto?

(Um longo silêncio.)

O que é que dás?

(Silêncio)

 

Sarah Kane, 4:48 Psicose

Tradução: Pedro Marques,  Campo das Letras, 2001 

Fotograma de Persona, de Ingmar Bergman,Suécia,1966

30.9.09

Sem título (100 palavras)

- Aquilo que vemos aqui são diversos objectos associados com as tentativas de suicídio da artista durante os últimos meses. Por exemplo: frascos de remédios, registos de internamentos hospitalares, polaróides dos diversos homens seropositivos com quem ela teve deliberadamente relações sexuais não protegidas, bocados de vidro partido…

- Bilhetes de suicídio.

-… sim, e as paredes da galeria foram é claro revestidas com muitos dos seus bilhetes de suicídio. Além das polaróides existem uns registos vídeo assaz desagradáveis, tenho de dizê-lo, dessas mesmas tentativas.Bem, não posso falar pelos outros, mas após alguns minutos de tudo isto eu comecei a desejar que ela tivesse sido bem sucedida logo da primeira vez.

(…)


- Receio bem que aquilo que aqui vemos seja puro narcisismo. E acho que a questão que temos de nos colocar é: quem pode aceitar esta espécie de exibicionismo não digerido como uma obra de arte?…

- Sim, mas exactamente, isso é exactamente a questão que ela está a levantar: Onde estão os limites? O que é aceitável?…

(…)

-Não estará ela a dizer que o único modo de evitar ser uma vítima das estruturas patriarcais capitalistas deste final do século XX é uma pessoa tornar-se a sua própria vítima? Não será esse o verdadeiro significado desses atentados contra a sua vida?

(…)

- A sua própria vítima? Se ela está mesmo – tal como parece – a tentar matar-se, então seguramente a nossa presença aqui faz de nós meros voyeurs num manicómio. Se por outro lado ela estiver só a representar, então toda a sua obra se torna uma mera representação cínica e é duplamente repugnante.

- Mas porque não? Porque não pode ser “uma representação”?

- Exactamente – torna-se uma espécie de teatro.

- É teatro – exacto – para um mundo no qual o próprio teatro morreu. Em lugar das convenções ultrapassadas do diálogo e das chamadas personagens arrastando-se para os embaraçosos desenlaces do teatro, Anne oferece-nos um puro diálogo de objectos: de couro e vidro, de vaselina e aço; de sangue, saliva e chocolate. Ela oferece-nos nada mais nada menos do que o espectáculo da sua própria existência, a pornografia radical – se é que posso usar esta muito estafada palavra – do seu próprio corpo partido e abusado – quase crístico.


-Um objecto, Por outras palavras. Um objecto religioso.


Martin Crimp, (A)tentados
tradução: Paulo Eduardo Carvalho, Campo das Letras, 2000

27.9.09

27 Setembro 2009

tumblr_kqnk4oxDHt1qzuj5no1_400

19.9.09

homens perfeitos #3

Photobucket

Paul Newman (1925-2008)

18.9.09

when Gus Van Sant meets William Shakespeare

Photobucket




This road will never end. It probably goes all around the world.
Some people take your heart, others take your shoes, and still others take you home.
Wherever, whatever, have a nice day.
whatever it takes to have a nice day
It's not where you go, it's how you get there.


My Own Private Idaho (1991)
direct by Gus Van Sant
With River Phoenix and Keanu Reeves

Morrer como um homem

Photobucket
© D.R.

Morrer como um homem de João Pedro Rodrigues abre hoje o queer lisboa.
É a ante-estreia. Nas salas a 15 de Outubro.

16.9.09

Zouc


a vossa atenção para o minuto 4:43
ZOUC Isabelle von Allmen)

15.9.09

dos seres

 se ele ainda estiver a dormir quando eu voltar ao quarto, e o clavicórdio continuar a reger o abismo com a sua simples presença e a sonoridade que pressinto,

sento-me à entrada da ausência, aspirando o meu vagar nocturno e o movimento dos músculos das árvores,


lugar particular ali,
lugar universal aqui.





Maria Gabriela Llansol


Photobucket
Maria Gabriela Llansol, Minha homenagem a Roland Barthes, 26 de Março de 1980

14.9.09

the suicide song


szomorú vasárnap | gloomy sunday     

música e poema original: Rezsö Seress, László Jávor, 1933





"Gloomy Sunday chegou à América em 1936 e, graças a uma brilhante campanha publicitária, ficou conhecida como A Canção Húngara do Suicídio. Supostamente, depois de a ouvirem, amantes perturbados seriam compelidos a saltar da primeira janela que encontrassem, mais ou menos como os investidores depois de Outubro de 1929; ambas as histórias são em grande parte mitos urbanos." Michael Brooks

Rezsö Seress suicidou-se em Janeiro de 1968. Atirou-se de uma janela.


algumas versões



1940, Artie Shaw, voz: Pauline Byrne



1979, Lydia Lunch



1981, Elvis Costello



1992, Diamanda Galás



1992, Sinéad O'Connor 



1999, Björk



2000, Kronos Quartet



2001, Iva Bittová



2001, Heather Nova



2006, Lucía Jiménez

10.9.09

lullabye



LullabyeCaroline Berkenbusch
Vídeo de Pipilotti Rist, que hoje estreia a sua primeira longa metragem.

9.9.09

you litlle devil

Photobucket
O Damien Weighill desenhou-me!
Ainda não percebi muito bem os cornos e as garras, mas parece-me bem. É a minha cara.
Mais aqui.

7.9.09

trying to disappear completely

Photobucket

Jónsi & Alex, Indian Summer

6.9.09

we surrender to the ones we defeat

Acabam sempre derrotados os que começam com analogias entre o amor e a guerra. Não entendem a dramática diferença de objectivos. No amor, os tratados de rendição estipulam que são os vencedores que se entregam. 


Pedro Jordão

And so it was I entered the broken world

Photobucket
Michael Denka, Cate Blanchett e Mandy McElhinney, em A Streetcar Named Desire de Tennessee Williams, com encenação da Liv Ullmann, em cena até 17 Outubro na Sydney Theatre Co. 

still wild


Wild Is the Wind  música: Dimitri Tiomkin, letra: Ned Washington, 1957



Canção originalmente gravada por Johnny Mathis para o filme Wild is the Wind (1957) de George Cukor, com  Anna Magnani e Anthony Quinn nos principais papéis
Johnny chegou a cantar na noite dos óscars de 1958. A canção estava nomeada para o óscar de melhor canção, mas perdeu para The Joker Is Wild de James Van Heusen e Sammy Cahn.


algumas versões


1966, Nina Simone


1976, David Bowie


1994, Clan of Xymox


1999, George Michael


2000, Cat Power


2001, Billy Mackenzie


2001, Randy Crawford


2003, Barbra Sreisand

5.9.09

Wild



Patty Waters, Wild is the Wind (1966)
from the "College Tour" album. Set to a clip from "Coming Apart" (1968)

1.9.09

We're only human; this at least we've learned

lei seca

Lei Seca é uma denominação popular da proibição oficial de fabricação, varejo, transporte, importação ou exportação de bebidas alcoólicas. A definição tornou-se famosa após a proibição ter sido adoptada nos Estados Unidos em 16 de Janeiro de 1919, quando foi ratificada pela 18ª Emenda à Constituição, entrando em vigor um ano depois, em 16 de Janeiro de 1920. O seu cumprimento foi amplamente burlado pelo contrabando e fabrico clandestino. A Lei Seca foi abolida em 5 de Dezembro de 1933, pela 21ª Emenda. Permaneceu activa por 13 anos, 11 meses e 24 dias.

Tu lembras-te da Sandra Kim? Festival da canção. "J'aime, j'aime la vie". Apaixonei-me por ela quando tinha doze anos.*



*José Maria Vieira Mendes, T1